CASOS DE AMOR
Ricardo Reis, médico e poeta, insiste com a criada Lídia, para que esta, antes do café, tome um banho. Ela não resiste, pois, segundo Saramago, o momento do banho é um dos melhores da sua vida:
pôr a água quente a correr, despir-se, entrar devagarinho na tina, sentir os membros lassos no conforto sensual do banho... e saber que, para lá daquela porta a espera o homem, que estará ele a fazer, o que pensa adivinho, se aqui entrasse, se viesse ver-me, olhar-me, e eu nua como estou...agora sai da água, todo o corpo é belo quando da água sai a escorrer, isto pensa Ricardo Reis que abriu a porta, Lídia está nua..[1]
Tal imersão nas águas da vida culmina para Lídia no ato de amor que produz, entre ela e o seu amante, a aparição de um “tertius perfeito”, animal estranho que exala o cheiro comum, não de um ou de outro, mas de ambos. E ,com o autor,emudeçamos nós , que desta trindade não fazemos parte.
Convidado a comentar esta cena de O Ano da Morte de Ricardo Reis, meu aluno Thiago a contrapôs àqueles versos de Pessoa, que recomendam a Lídia sentar-se à beira do rio. Juntos, o primeiro Ricardo e a primeira Lídia contemplam a dinâmica das águas, sem qualquer tentativa de imersão. Eles não mergulham, como fazem o médico e a criada do Hotel Bragança, na quentura da matéria temporal que envolve os sentidos e embala a história. Aproveito o vislumbre interpretativo do meu aluno, como guia da minha própria reflexão.
As duas cenas podem ser confrontadas em muitos níveis. O primeiro é de natureza formal. Personagens de romance, Ricardo e Lídia devem aparecer imersos na experiência . O outro Ricardo e a outra Lídia são personas de um estado poético que, orientada pela leitura de Leyla Perrone Moisés, chamarei dominância da pulsão de morte, melancolia[2]. Explico-me: na ode pessoana, que serve como intertexto a várias passagens do romance de Saramago, o sossego junto às águas está contaminado pela dor de saber que, como elas, tudo passa. Para Bachelard, Edgar Poe reencontrou a intuição heraclitiana que via a morte no devir hídrico[3]. Seu comentário vale para o heterônimo de Pessoa, que, ante a evidência da morte , não concebe o enlace das mãos. Assim, às margens desse rio, não há amor possível, mas só negação de amor, não-amor, na palavra precisa de Eduardo Lourenço que aí enxerga incapacidade de amar, simulação, já no interior da vida , da impassibilidade indolor que chegará com a morte.[4] De acordo com a perspectiva do ensaísta, trata-se de uma consciência que , se sabendo separada do mundo por um abismo, não pode aderir a este mundo, através do amor. O vazio afetivo trava o canto amoroso que cede seu espaço à melancolia, ritualizada apenas pelo poeta, cuja ode é construída sobre a perda de todos os laços. De fato, familiar entre nós desde a Alba, a antinomia entre o amor e o tempo chega aqui a uma negatividade extrema. Ricardo Reis radicaliza um caminho que outros intuíram, mas não trilharam até o limite que Lourenço rotula como não-amor. Lembro agora que, no salmo bíblico, Davi não quis entoar os cânticos ao Senhor, em terras alheias. Ferido pelo desconcerto do seu mundo, Camões transportou-se a essas margens babilônicas e restringiu ao passado a possibilidade do seu canto. Mas a grande dor das coisas que passaram é ainda uma forma de amar. Exiladas ambas, essas vozes encontraram asilo para os seus afetos. Para que o laço afetivo fosse tão radicalmente negado ,como ocorre em Pessoa, foi preciso que se manifestasse um tempo de completo desamparo. Personas dessa ode moderna, Ricardo e Lídia – extensão de si, que o poeta só projeta para negar o enlace – não contam com os deuses gregos, postos em plano de demasiada altitude e indiferença. Também não lhes socorre Pã que ,depois de Cristo, parece irremediavelmente morto. Afinal, essa passagem sem retorno e sem alegria chega a Ricardo Reis como uma herança cristã. Mais uma vez, recorro a Leyla Perrone: “A concepção cristã do tempo irreversível tinge de cores melancólicas tudo o que Ricardo Reis contempla.”[5] Alfredo Bosi vê , na concepção sintática do tempo, “o sangue que circula há séculos pelas veias das nossas crenças, judeu-cristãs, evolucionistas, marxistas ou não”.[6] Todavia, em Ricardo Reis, é sangue de um cristianismo sem crença, religião sem transcendência, de que fala Octávio Paz em Os Filhos do Barro, para qualificar a literatura moderna [7].
Em ensaio recente, Eduardo Lourenço afirma que a mitologia cultural portuguesa, durante quase todo o século XX, esteve dominada, saturada, mas estruturada, como nunca fora antes, pelo papel que desempenhava Fernando Pessoa e sua obra.[8] Não se pode elidir, dessa estruturação, a negação melancólica do amor que Lourenço surpreende em Pessoa. O ensaísta enfatiza ainda: “tudo o que a modernidade significava encontrava nele , mesmo sem o ter feito através do romance....,uma das suas configurações míticas”. Efetivamente, embora não se repita negativa tão extrema, a validade do enlace amoroso continuou sob suspeita, quando confrontada a uma história corrosiva. Principalmente no romance, cujo tempo é extensivo e arrasta no mesmo curso os mais variados aspectos da experiência humana, a afirmação dos afetos foi sempre tensionada pelas dissonâncias que se manifestam na temporalidade: assimetrias sociais, hiatos ideológicos, abismos que a psicanálise desnudou e todas as outras fendas que, ao longo do século XX, mantiveram entre os homens o fantasma de uma radical incomunicabilidade; fantasma da solidão ontológica, que se configura em Pessoa como negação do amor.
Se as águas que escorrem para o nada têm sua fonte na própria consciência, para que se criem quaisquer vínculos, o do amor entre todos, é preciso que a consciência se suspenda, enquanto consciência de si mesma, conformada na temporalidade. A saída do tempo irreversível requer o abandono no outro, que é abandono de si. Descrito como arrebatamento, pelos místicos embebidos de neo-platonismo, esse êxodo da temporalidade foi definido por Platão como caminhada ascencional pelos degraus de Eros. É ainda Eduardo Lourenço quem admite ser possível uma leitura da moderna ficção portuguesa como sub-produto das relações entre Eros e Cristo.[9] Mas, ao considerar esse confronto, Lourenço não situa o “raptus” da mística, nem o Eros ascensional de Diotima, e sim o gozo produzido pelos sentidos. É a sensualidade que ele vê constrangida por uma moral cristã, na medida em que esta focaliza o corpo como natureza vil e maculada pela concupiscência. Como vivência especificamente portuguesa, essa visão negativa do prazer sensual não se manteve apenas na expressão exclusivamente religiosa, mas se associou, ou se traduziu, em opressão política e social. Desse modo, ao contarem casos de amor – através de uma forma complexa como é o romance – os escritores portugueses expuseram todas essas tensões, representando as fulgurações extáticas sombriamente margeadas pela impossibilidade da comunicação e pela incompletude do desejo. Isso se constata na freqüência com que os romancistas adotaram soluções parodísticas, inversões irônicos de imagens que evocam amores realizados em contexto de harmonia atemporal. Podemos supor que, num universo de cristandade sem transcendência certa, as soluções estéticas mantiveram diálogos com mitologias de amores perfeitos, vividos como superação do tempo e dos limites impostos pela história.[10]
Para ilustrar o que digo, recorro a duas cenas de O Delfim, romance de José Cardoso Pires. Como as outras que anteriormente citei, ambas se estruturam em torno da imagística da água. Na primeira cena, Maria das Mercês, estando à beira da lagoa, lembra ao marido as promessas de banhos noturnos, feitas no início do casamento. Na segunda, a mesma mulher, como uma Ofélia portuguesa, é tragada pela lagoa. Vamos lembrar do primeiro momento, quando homem e mulher balançam suas pernas sobre as águas.
“Quando casamos”, diz a jovem lentamente, “você fartou-se de me falar nos banhos da meia-noite.”
“Com este tempo?”
“Sei lá. Dizem que à meia-noite é que a água está melhor. E você prometeu. Palavra de .rei não volta atrás.”
“Sim, rainha.”, diz Tomás Manuel. Beija-lhe a mão: “Está combinado, rainha. Hoje à meia-noite cerimônia na lagoa.”
“Nus?”
O marido responde-lhe com um bater de dentes, como se estivesse arrepiado de frio.
Ela ri:
“Nus, pois. Nus é que tem graça.”
“Sim? E os gaurda-rios?”
“Quero lá saber dos guarda-rios para alguma coisa”
“E a peneumoniazinha?”
“Desculpas, Tomás. Você não diz que estas águas são milagrosas?”
“E são”, responde ele. “Olha, já não tens nada no pescoço”[11]
Nesse idílio ao luar, está sintetizada a expectativa de um encontro amoroso vivido em contexto pastoral, presente em todas as épocas. É amor imerso numa água milagrosa, capaz de curar todas as dores; assim como cura a ferida no pescoço de Maria das Mercês. No entanto, é preciso assinalar que a imagem do casal despido , esquecido da presença da lei, diz respeito particularmente a uma época. Publicado em 1968, O Delfim atualiza a mitologia amorosa, na imagem de um desejo sem amarras, pelo qual homem e mulher iriam integrar “a colorida agitação de vida elementar” que pulsa na lagoa. Realiza-se, no plano da intriga, o contato do corpo de Maria das Mercês com uma lama que cobre os mortos. Note-se a inversão irônica, no modo de qualificar a lagoa: “É lama, estou vendo, a famosa massa da lagoa composta de lodo e baba de peixe.” Bachelard percebe o adensamento das imagens aquáticas, à proporção que elas absorvem o sofrimento humano.[12] Num contexto de repressão , como aquele que predominava em Portugal, o sonho de Reich, Marcuse, Norman Brown teria mesmo que se confrontar com a dor e com a morte.
Muito antes, ilhada e ,simultaneamente, integrada às agitações da Europa nos anos 40, a Margarida, pensada por Vitorino Nemésio em Mau Tempo no Canal, já vivia, no íntimo do amador, João Garcia, “estagnada, como um nenúfar num charco, que um luar de morte aviva.” Em si mesma, ao sentir a impossibilidade de transcender e triunfar sobre a vontade imperiosa da natureza, Margarida lastimava não poder , como faziam os pescadores, “trocar esta sede da vida e da carne miserável por aquela água sem nome do deus dos aflitos.[13] Essas imagens aquáticas insistem no confronto entre o amor, visto como expectativa de êxtase, e o tempo irreversível ,visto como destino letal.
Até aqui, vimos a representação do amor, dominada por perspectivas, que muitas vezes surgem mescladas. Uma delas contempla a saída do tempo – ora pela via ascensional platônica e místico cristã, ora pela ênfase no gozo sensual, tratado como êxtase. Numa outra perspectiva, o amor é experiência temporal. Mas, imersa no tempo, a sensualidade participa da morte, produzindo na palavra o timbre melancólico. Se, na imagem que lhe atribui maior espaço, a melancolia é figurada pelo tempo irreversível, qualquer interferência nessa constelação de signos teria que alterar a concepção do tempo cristão e, conseqüentemente, a do próprio Cristo. Este parece ser o objetivo de José Saramago e ,por isso, eu volto à cena do seu romance.
Ao falar do banho de Lídia, o narrador enfatiza o momento: este é um dos melhores momentos da sua vida. O prazer sensual e o encontro amoroso não estabelecem uma saída da corrente temporal, mas valorizam o quotidiano, construindo, no tempo linear, uma experiência poética. De acordo com o próprio Saramago , esse é o tempo que ele reproduz, ao construir a linguagem dos seus romances:
Falo de um tempo poético, feito de ritmos, de suspensões, um tempo simultaneamente linear e labiríntico, instável, movediço, tempo com as suas leis próprias, um fluxo verbal que transporta uma duração e que uma duração por sua vez transporta, fluindo e refluindo como uma maré entre dois continentes. Este, repito, é o tempo poético, pertence à recitação do canto..
E mais: “ ...é linear e labiríntico no mesmo sentido em que eu poderia dizer que algo que avança linearmente, na aparência, é compatível com uma espécie de turbilhão interior que não anula essa aparência de linearidade...”[14] Trata-se portanto de alterar, através da escrita do romance, e particularmente através do tratamento conferido ao encontro amoroso, a própria concepção do tempo que o impossibilitava. Quanto à figura de Cristo, desnecessário lembrar com que teor de sensualidade foi narrada a trajetória do herói em O Evangelho segundo Jesus Cristo; e não me refiro apenas à ligação com Maria de Magdala. Basta-me citar a cena transcorrida às margens do Jordão: “ O último elo da corrente é este agora, estar na margem do rio Jordão, ouvindo o dolente canto de uma mulher ...a mulher que canta nua, deitada de costas sobre a água , os peitos duros levantados fora dela, o púbis negro soerguendo-se na ondulação da aragem...O corpo de Jesus deu um sinal, inchou no que tinha entre as pernas, como acontece a todos os homens e a todos os animais.....não chegas a Deus se não chegares primeiro ao teu corpo.” Ao preparar esta passagem, o autor já recusara o suspiro melancólico diante do tempo, representado pelo rio: “O caso mais extremo seria o de uma pessoa que, sem fortes e objetivas razões de queixa quanto à sua saúde e bem estar, suspirasse melancolicamente. ..... descendo, no tempo próprio, ao vale do Jordão. ...todo ser humano tem por diante , em cada momento de sua vida, coisas boas e coisas más...atrás de tempo, tempo.”[15] No conjunto dos romances de Saramago, há uma estratégia que Carlos Reis , em diálogo com o autor, define como reclamação, valendo-se do sentido etimológico da palavra. Quem explicita o termo é o próprioSaramago: “Talvez eu pensasse numa espécie de reivindicação ou no ato de chamar a presença.”[16] Essa reclamação da presença atinge a imagem de Cristo. De fato, existe, no cerne da cultura cristã, uma ambigüidade em relação ao corpo e, em decorrência, também em relação à experiência do amor humano, que sempre atravessa os sentidos. Marcado pela imagem de um deus encarnado, o cristianismo terminou por produzir uma moral que despreza a carnalidade e projeta sobre o amor carnal cores sombrias.[17] Tal desprezo à condição humana fere uma ética que Saramago entende como ética cristã. Em palavras suas: “é o que diz respeito ao sentido dos deveres, ao sentido de determinados valores que têm relação mais ou menos direta com o cristianismo[18]” Teólogo no fio da navalha, conforme o define Eduardo Lourenço,[19] Saramago insiste , em exaltar os prodígios do amor humano, a partir de referências cristãs. Assim, o tertius perfeito, concebido como o cheiro comum que exalam os amantes, constitui uma evidente alusão à trindade, depois ampliada, no texto de Memorial do Convento .
Para terminar, observo que , imerso na temporalidade do romance , o Ricardo Reis , do texto publicado em 84, não se pode furtar à experiência e ,assim, na cena do banho de Lídia, também ele deixa-se mergulhar no corpo da amante. Entretanto, a melancolia cristã aparece-lhe, sob a forma de uma impotência moral, inapetência para agir, acídia, para usarmos o termo cunhado pela teologia medieval: tibieza com as coisas sublimes, torpor espiritual que impede de encetar o bem., nas palavras de Santo Tomás.[20] Exercendo atividade contemplativa, o intelectual atualiza esta atitude, quando recusa participar do espetáculo da vida. Para Lídia, sujeito feminino, a vivência labiríntica e poética gera frutos que se projetam sobre a linearidade da corrente temporal. Ricardo faz a opção pela morte e pela melancolia . Ainda não é tempo de um mundo favorável aos amantes , embora o momento, senhor da emoção, ilumine oceanos e rios.
Referências Bibliográficas:
BACHELARD. A água e os sonhos; ensaios sobre a imaginação da matéria. São Paulo, Martins Fontes,1989.p.59
BOSI, Alfredo. O tempo e os tempos. In: NOVAES, Adauto. (org.) Tempo e História.São Paulo, Companhia das Letras,1992,p.20.
CARDOSO PIRES, J. O Delfim. Lisboa, Dom Quixote, 1998.p.245-246.
KRISTEVA, Júlia. Histórias de Amor. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1988.
LOURENÇO, E. O imaginário português nesse fim de século. Lisboa, Jornal de Letras,29.12.1999.
LOURENÇO, E.. Aquilino ou Eros e Cristo. In: ___. O Canto do Signo, existência e literatura (1957-1993). Lisboa, Presença,1994.p.227
LOURENÇO, Eduardo. Fernando Pessoa ou o não-amor. In: __ Fernando Pessoa, rei da nossa Baviera. Lisboa, Imprensa nacional/Casa da Moeda.p.55-79.
NEMÉSIO, Vitorino. Mau Tempo no Canal. Lisboa, Bertrand (3ed).p.105 e 203.
SARAMAGO, José . Do canto ao romance, do romance ao canto. Apud: REIS, Carlos. Diálogos com José Saramago. Lisboa, Caminho,1998.p135-136
SARAMAGO, José .. O Evangelho segundo Jesus Cristo. São Paulo, Companhia das Letras,1991.p.270 e 239.
SARAMAGO, José. O Ano da morte de Ricardo Reis. Lisboa, Caminho, 1985 3. ed. p. 254-255.
[1] SARAMAGO, José. O Ano da morte de Ricardo Reis. Lisboa, Caminho,1985(3ed).p.254-255.
[2] CF: “De todos os heterônimos de Pessoa, RR é aquele em que mais forte se manifesta a pulsão de morte.” MOISÉS, L. P. Pensar é estar doente dos olhos. In: NOVAES, Adauto.(org.) O olhar. São Paulo, Companhia das Letras,1988.p.339.
[3] BACHELARD. A água e os sonhos; ensaios sobre a imaginação da matéria. São Paulo, Martins Fontes,1989.p.59
[4] CF: LOURENÇO, Eduardo. Fernando Pessoa ou o não-amor. In: __ Fernando Pessoa, rei da nossa Baviera. Lisboa, Imprensa nacional/Casa da Moeda.p.55-79.
[5] MOISÉS, Leyla P. Op. cit.,p.338
[6] BOSI, Alfredo. O tempo e os tempos. In: NOVAES, Adauto. (org.) Tempo e História.São Paulo, Companhia das Letras,1992,p.20.
[7] Cf: “Estas duas experiências – cristianismo sem Deus, paganismo cristão – são constitutivas da poesia e da literatura do Ocidente, desde a época romântica.” PAZ, Octávio. Os Filhos do Barro. Rio de Janeiro, Nova Fronteira,1984.p.73-74.
[8] LOURENÇO, E. O imaginário português nesse fim de século. Lisboa, Jornal de Letras,29.12.1999.
[9] ____. Aquilino ou Eros e Cristo. In: ___. O Canto do Signo, existência e literatura (1957-1993). Lisboa, Presença,1994.p.227
[10] Tendo longa tradição simbólica, tais mitologias chegam até nós, através dos filtros românticos, conforme a perspectiva de Octávio Paz, em Os Filhos do Barro.
[11] CARDOSO PIRES, J. O Delfim. Lisboa, Dom Quixote, 1998.p.245-246.
[12] BACHELARD. Op. cit., p.49.
[13] NEMÉSIO, Vitorino. Mau Tempo no Canal. Lisboa, Bertrand (3ed).p.105 e 203.
[14] SARAMAGO, José . Do canto ao romance, do romance ao canto. Apud: REIS, Carlos. Diálogos com José
Saramago. Lisboa, Caminho,1998.p135-136
[15] ____. O Evangelho segundo Jesus Cristo. São Paulo, Companhia das Letras,1991.p.270 e 239.
[16] Em entrevista a Carlos Reis. Op. cit. , p84
[17] Tal ambigüidade no cerne da cultura cristã é amplamente comentada no capIV de: KRISTEVA, Júlia. Histórias de Amor. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1988
[18] REIS, Carlos. Op. cit.p.142
[19] LOURENÇO, E. O Canto do Signo.Lisboa, Presença,1994.p.184-188
[20] Reproduzo a definição de Alfredo Bosi: “... Lembrando o belo termo cunhado pela teologia medieval, acídia ( do grego, via latim, acedia). Que vale: ausência de cuidado, tibieza com as coisas sublimes, preguiça do coração, “torpor espiritual que impede de encetar o bem” ou procurar a verdade, conforme a notação precisa de Santo Tomás ( em Summa Theologica II,II,q35,a1) “. In: ___ Céu/Inferno; ensaios de crítica literária e ideológica. São Paulo, Ática,1988.p.93.